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26/08/2024 ‐ Homegem aos dois anos da morte de meu mestre

 


Saudações.


De antemão gostaria de me desculpar pelos erros de gramática, semântica e/ou outros que cometa neste texto. Nesta ocasião permiti a emoção tomar o lugar das mãos que digitaram o texto, sem revisão ou releitura, assim, quem sabe, algo mais puro da psiquê seja expresso.


Hoje, dia 26 de agosto de 2024, a data é demasiadamente triste, ao menos para mim. Faz dois anos que estou privado da relação com o meu maior mestre, o meu querido pai José. Ainda tenho a enorme alegria de ter minha maior mestra, minha querida mãe Célia, da qual espero ter longa experiência e muitas lições, mas, infelizmente, hoje, longe de meu amado pai.


A vida nos proporciona pessoas especiais para nos fornecer oportunidades de aprender, foi muita alegria ter o privilégio de nascer filho do Zé! Foi meu pai que ensinou que muitas vezes a nossa existência sofre, mas, em todas essas experiências estamos ao lado de pessoas que fazem tudo valer a pena.


Ele lutou para conseguir oportunidades para si, mas cada oportunidade que conquistou o levou a compartilhar os frutos com os outros. Ele lutou várias batalhas sozinho, a maioria ao lado de sua esposa, minha querida mãe, muitas com seus filhos, meus queridos irmãos e eu, mas, com certeza ele dividiu tudo para melhorar este mundo através de cada pessoa que pode atingir. Atingiu muita gente, felizmente!


Meu querido pai permitiu que eu entendesse com muita nitidez que educação e sabedoria não dependem de escolaridade, mas, dedicou a sua vida inteira para que meus irmãos e eu pudéssemos desfrutar da melhor escolarização, da melhor educação e da melhor sabedoria. O que mais um pai deve ofertar aos seus filhos?


Houve épocas de abundâncias materiais e outras de escassez. No entanto, nunca houve época de escassez de amor, companheirismo, amizade, dedicação e alegria. Leciono há mais de uma década filosofia, mas, confesso que a lição que mais tento valorizar é a humanização e esta "matéria" aprendi com meus mestres de casa. O meu querido pai era amigo das pessoas simples e das pessoas complexas, era amigo daqueles que não tiveram oportunidades e de quem teve muita oportunidade, era amigo de alguém que via pela primeira vez e de quem conhecia por décadas. Amizade, no sentido que proponho aqui, era respeitar integralmente, nunca se colocou acima de ninguém e jamais permitiu ficar abaixo de ninguém. Existe algo mais humano que isso?


Muitas vezes recebemos o que nos oferecem, muitas vezes oferecemos para os outros, por isso a grande pergunta: se não temos controle do que recebemos, então nosso esforço deve se concentrar em quê?


Neste segundo ano desde a perda confesso que ainda não superei tudo que passamos. Sinceramente, hoje, não penso mais em superar. Nada poderá amenizar a tristeza e a saudade, nada vai substituir o abraço e a boa prosa. Nada vai superar o amor que vivemos em forma de cotidiano. Não há arrependimento e não há o que eu não tenha dito que ele não sabia. Essa tristeza que está comigo é uma tristeza que levarei até o fim dos meus dias, porquê se não for deste jeito seria muito estranho, seria desumano.


Meu querido pai, sinto tanto a sua falta que converso com você, peço conselhos e troco miudezas com o vento. De alguma forma sei que está aqui, como algo espiritual místico ou simplesmente porquê somos uma só coisa de alguma maneira. Na verdade, tudo que você construiu tornou eterna a sua existência e isso conforta cada lágrima deste rosto que lhe escreve essa pequena homenagem. Queria ter palavras melhores para expressar a verdade toda, mas, enquanto não possuo, escrevo com toda a verdade que cabe nas que tenho agora.


Pai, você está aqui. Sempre estará!


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